Vaidade e Autoestima da pessoa idosa

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O homem depois dos 60 anos perde a vaidade? Por quê?

Não, não perde, a menos que ele tenha se recusado a aceitar a inexorável passagem do tempo como um processo natural e pleno de possibilidades de aprendizagem e crescimento pessoal. O homem que vive intensamente o momento presente é capaz de ir aprendendo a lidar bem com os pedidos do seu próprio corpo e se adaptará continuamente a essas demandas de um modo leve e tranqüilo. Os felizardos que atingem essa condição continuam tão ou mais vaidosos do que antes, continuam gostando de si mesmos e estão atentos para fazer, em termos de cuidado pessoal, tudo aquilo que mantém elevada sua auto-estima em cada fase de sua vida.

O homem que se cuida depois dos 60 vive mais?

O homem que se cuida sistematicamente ao longo da vida chega aos 60 com muito mais vigor e, portanto, gozará de uma vida mais longa e com mais qualidade em todos os sentidos. Aquele que desperta para se cuidar somente após os 60 terá, pelo menos, a possibilidade de desacelerar possíveis processos degenerativos em andamento no seu organismo.

Os que pintam o cabelo, fazem as unhas, etc. são mais felizes?

Felicidade é muito difícil de se mensurar ou comparar. Embora seja muito positivo que haja o cuidado com a aparência, às vezes as pessoas até preocupam-se excessivamente com ela, tornando-se insaciáveis nos cuidados estéticos. O que importa é cuidar-se para sentir-se melhor, satisfazendo-se com o resultado obtido por ter escolhido a sua medida de cuidados, aquela que acredita ser a mais adequada para sentir-se bem.

Namorar na terceira idade faz bem?

Namorar faz bem em todas as idades, mas na terceira idade é melhor ainda, por vários motivos. É tão difundido o tabu de que amor e sexo são para os jovens que as pessoas, mesmo os casais, acabam se convencendo disso. O resultado é que, à medida que o tempo vai passando, começam a usar sua idade avançada para justificar o tédio, suas doenças e dificuldades nos relacionamentos afetivos e sexuais: A mulher deixa de lubrificar e o ato sexual torna-se desconfortável ou doloroso, enquanto o homem começa a perder ou não conseguir manter a ereção. Vão perdendo o interesse na vida sexual e ambos culpam a idade por isso. Dificilmente se dão conta de que a monotonia da relação é a maior responsável. Já quando o idoso se apaixona, tudo muda: o corpo responde imediatamente à estimulação da paixão, reagindo naturalmente: a mulher geralmente volta a excitar-se, lubrificando e o homem percebe-se com um desejo constante e a melhor qualidade de suas ereções. Em minha prática clínica tenho testemunhado muitas gicasfisiológicas desse tipo. Os protagonistas dessas histórias produzem um relato muito parecido, sempre permeado de muita alegria e vitalidade: Nunca amei assim antes”, Hoje eu me sinto mais bonita(o) do que antes”, Rejuvenesci tudo de novo”, Pareço um adolescente de tão apaixonado que estou”, Nunca imaginei que pudesse ser tão bom”, Não entendo como é possível ser tão feliz nessa idade”, Pensei que nunca mais fosse voltar a amare, a que mais gosto, dita recentemente por uma paciente: Se eu tivesse encontrado ele (seu amante) há mais tempo, sei que não teria ficado doente, não teria tido nada daquela seqüência de problemas de saúde, porque era pura falta de paixão, falta de tesão”. Resumindo, namorar na terceira idade é bom em todos os sentidos: revigora, revitaliza, embeleza, motiva, envaidece, aumenta a auto-estima e o desejo de cuidar-se para o outro; rejuvenesce e deixa a vida cor-de-rosa como na adolescência, só que com licença, autonomia e consciência, mais livre das preocupações e medos de então.

Pq conservar a auto-estima faz tão bem para o ser humano?

Porque sem uma boa auto-estima não somos capazes de ver valor em nós mesmos e, portanto, também não daremos, aos outros, muitas oportunidades para nos valorizar. Um paciente explicou isso de um modo bastante claro, quando deu-se conta da importância de amar a si mesmo: Quando não me cuido, sinto-me um lixo. Só quando vejo que estou bonitão e atraente é que sinto-me mais confiante e seguro de que poderei despertar o interesse ou a admiração das pessoas. E isso sempre acontece. É porque já estou admirando a mim mesmo de antemão.

Qual a dica que você dá para uma pessoa se cuidar, pra se aceitar com as mudanças do tempo?

Escolha dedicar-se às atividades que lhe dão prazer, evite companhias desagradáveis, desobrigue-se de laços que não lhe interessam, busque estar com pessoas estimulantes de todas as idades. Dance e/ou jogue, leia, ande, corra, nade, aprenda novos idiomas, faça terapia, relaxe, aprenda e faça coisas novas todos os dias. Saia só e também acompanhado. Entenda que a idade não o impede de ser feliz, basta que você module o ritmo e a intensidade das atividades, adaptando-as às suas necessidades atuais. Uma pessoa não se torna melhor ou pior só porque o tempo passou, ela se constrói na medida em que o tempo passa, a partir do modo como vive cada momento presente. Velho chato é, muito provavelmente, o rótulo dado ao resultado de uma equação bastante simples: jovem chato + várias décadas transcorridas.

Continue apostando em você e na sua capacidade de ser feliz, de agradar ao outro, de dar e de receber. Ao perceber que algumas coisas já não podem ser feitas como antes, adapte-se para fazer diferente, mas não as abandone se forem importantes para você. Crie estratégias compensatórias, transforme-as para melhor com criatividade ou buscando ajuda externa, o que preferir. Agindo assim, você terá muitas surpresas agradáveis.

um aumento real da expectativa de vida da população mundial e essa nova realidade começa a mudar a forma de se olhar a pessoa idosa, que começa a ganhar uma importância que não possuía até há pouco no mundo ocidental. Com mais pessoas envelhecendo no mundo todo, o idoso torna-se um consumidor cada vez mais importante e respeitado. Suas necessidades e anseios são cada vez mais investigados, gerando produtos e serviços mais eficientes para facilitar sua vida. A tendência é que criem-se cada vez mais serviços voltados para esse público em todos os setores de atividade: saúde física e mental, lazer, educação, esporte e entretenimento, colocação profissional, etc..

É importante que todos aprendamos a envelhecer felizes, com qualidade de vida. E a boa notícia é que, para um envelhecimento saudável, nossos hábitos de vida são muito mais importantes do que nossa herança genética. Isso significa que podemos escolher uma velhice bem sucedida. Para isso precisaremos de alimentação e hábitos saudáveis, atividade física regular e adequada, repouso, lazer, relacionamentos e atividades prazerosas e muita, muita paixão. Onde há paixão não sobra espaço para a depressão e apatia.

Envelhecer é automático, basta não morrer. Já o envelhecimento saudável é uma conquista. É preciso vencer o preconceito que existe sobre o que o idoso pode ou não pode fazer. Como os jovens, ele deve continuar acreditando que pode e ousar tudo aquilo que sabe que lhe fará bem. Irá cansar-se mais rapidamente, mas com um condicionamento físico adequado poderá ter uma mobilidade excelente, uma atividade sexual saudável, uma vida plena e feliz. 

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Mariuza Pregnolato em entrevista à revista Viva Saúde.

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