Solteiros – Como enfrentar a data mais romântica do ano sem ficar deprê?

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Por Mariuza Pregnolato

Será que não seria conveniente investigar o que é que dita tristeza ou alegria pro meu pobre coração? Uma mera data comemorativa teria tanto assim a ver com o meu emocional? Afinal, estamos falando de mais uma data absolutamente comercial, certo? Ademais… bem, vamos combinar que é meio difícil que eu vá ficar deprê num dado feriado só porque estou diferente do povinho ali da propaganda da margarina ou dos gordinhos corações vermelhos na caixa de chocolate. Sou bem maior que isso! Ou não?

Acontece que, às vezes, do mesmo modo que a criança mimada que chora quando não tem suas demandas satisfeitas imediatamente, tendemos a assumir uma posição de vítima passiva, frustrada com a injustiça da vida que não nos brindou com a realização de um dado sonho. E estando nesse estado de espírito, basta qualquer estímulo que nos lembre nossa condição para que a negatividade se instale.

Mas crescemos! E podemos aprender a administrar nossas próprias vidas de agora em diante, de modo a otimizar as chances de obter prazer e bem-estar, ao invés de cultivar tristezas. Lembrar que estar triste ou alegre é o resultado das escolhas que fazemos num dado momento, coloca em nossas mãos o poder de decidir o nosso estado de humor e nos torna conscientes da responsabilidade que temos na construção do momento presente.

E porque isso é tão importante? Porque este tempo mágico e único – o presente – se plenamente vivido, pavimenta positivamente o caminho para o momento futuro. Além disso, daqui a um instante já será passado e terá, assim, construído mais uma lembrança feliz à nossa história de vida, fortalecendo a autoconfiança e a sensação de autoeficácia.

Cada um de nós pode encontrar inúmeras razões para se entristecer. Basta lançar um olhar rápido para nosso repertório de experiências e selecionar somente as mais dolorosas, frustrantes + os sonhos não realizados e produziremos uma verdadeira usina de lágrimas de autocomiseração e infelicidade e, assim, poderemos passar o pior dia dos namorados possível.

Curiosamente, o mesmíssimo exercício pode ser feito dando-se destaque, porém, às várias experiências alegres e aos gratificantes momentos de superação, em que experimentamos e retribuímos sentimentos de afeto e aceitação. Nessa versão, a lembrança de um histórico de experiências positivas irá nos predispor a buscar atividades prazerosas com que nos ocupar, favorecendo situações e experiências agradáveis.

Nossas palavras e pensamentos, quando em sintonia com nossas convicções e/ou desejos, possuem força realizadora. Isso significa que, ao escolher uma determinada forma de ver o mundo, o mundo assim se apresenta aos meus olhos. Não somos tão fortemente impactados pelos fatos em si, mas sim pelo que pensamos sobre os fatos. Em Psicologia, costuma-se falar em Profecia AutoRealizadora que, resumidamente, é: obter um resultado condizente com aquilo que profetizamos por estarmos trabalhando ativamente para que aquilo aconteça, ainda que inconscientemente.

Há, igualmente, inúmeras razões para alegrar-se ou entristecer-se. Como você quer se sentir?

Creio que vale a pena ter claro que estar solteiro, no dia dos namorados ou em qualquer outro momento da vida, não é triste em si, mas poderá ser infinitamente triste se deixarmos que assim seja. Tem muita gente solteira neste exato momento, cada um vivendo a seu próprio modo, fazendo suas escolhas e construindo uma história com essas escolhas. Há muitos casais também, igualmente construindo ou destruindo suas relações, nas quais vão conseguindo ou não salvaguardar sua individualidade, também em função de suas escolhas pessoais.

Também não é demais lembrar que uma dança sem fim segue onipresente ao longo de nossas vidas: é o desejo de ter alguém só pra nós quando estamos sós versus o desejo de maior liberdade, quando vivemos uma relação. Esse dilema foi amplamente estudado pelo sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman. Segundo ele, quando temos com quem contar e vivemos uma sensação boa de pertencimento e afinidade, nos sentimos seguros. Vem, porém, uma nostalgia por nossa liberdade individual e passamos a desejá-la e, assim, a felicidade fica ameaçada. Após décadas debruçado sobre esse tema, Bauman conclui que é impossível obter-se a proporção ideal entre ambas as situações e afirma que a insatisfação pela falta de uma das duas permanecerá como dilema insolúvel.

É certo que estaremos ora ansiando pelo conforto e segurança de uma relação estável, ora pela nossa liberdade individual, sempre detendo-nos um pouco mais nesse ou naquele polo, mas nunca nos satisfazendo plenamente em permanecer em nenhum deles. Daí a ideia de que devemos buscar a felicidade dentro de nós mesmos, nas vivências de todas as coisas, pequenas ou grandes, buscando nos bastar. No Dia dos Namorados e em todos os dias de nossas vidas.

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