Por que é tão importante encontrar sentido no que fazemos?

Print Voltar

A busca pelo propósito no trabalho

Por Mariuza Pregnolato

O número de pessoas insatisfeitas com o trabalho parece estar aumentando nos últimos anos, pelo menos essa é a percepção que o aumento de queixas em meu consultório me sugere. Também tenho ouvido mais casos de pessoas adotando o lema abandone o seu emprego e viva o seu sonho como uma espécie de solução a esta insatisfação contemporânea.

É interessante perceber como o aspecto profissional tomou dimensões maiores na nossa vida. A quantidade de pessoas que consegue atualmente terminar uma faculdade ou uma especialização e disputar uma vaga no mercado de trabalho cresceu significativamente. Há algum tempo, poucas pessoas tinham o privilégio de cursar o ensino superior, como se pode observar até na própria história familiar.

O aumento da quantidade de profissionais qualificados, no entanto, não parece estar sendo acompanhado por melhoria nas condições de trabalho. Horas extras e precarização dos contratos são alguns exemplos que contribuem para aumentar a insatisfação dos profissionais. Por outro lado, uma vez que a educação superior virou algo mais comum e a sociedade se mostra mais livre, tendo desfrutado de maior estabilidade econômica do que antes e do fortalecimento das instituições democráticas, o universo de nossas possibilidades se expandiu. Com ele, cresceu também nossa constante busca pelo melhor: da vida, do trabalho, das relações pessoais, do momento, do lugar onde estamos.

Esta busca incessante de sempre atingir um nível melhor, em algum momento acabará nos levando a questionamentos que vão além do âmbito meramente profissional. Vão ao encontro daquilo que é maior e mais importante: o propósito da própria vida, o mais puro e verdadeiro de nós mesmos. E essa resposta provavelmente não se encontra no topo da hierarquia de um plano de carreira da empresa que me contratou.

Encontrar este propósito é uma jornada interior, um caminho a ser construído na solidão das próprias angústias e anseios, completamente único e pessoal. Cada um sabe, intuitivamente, o rumo que deve seguir. Ele aponta para aquilo que nos deixa mais felizes, motivados, querendo mais. 

Um pouco de autonomia e sentir que estamos contribuindo com a sociedade fazendo o que sabemos fazer de melhor acompanham esta sensação. Mais uma vez, o autoconhecimento nos guia para este encontro. Saber ouvir a voz interior ao invés do que os outros pensam ou o que imaginamos que deveriam pensar é o que produz a especial sensação de saber que se está no caminho certo, aproveitando e vivendo o presente, sem ansiedade ou preocupações exageradas. A terapia pode ajudar imensamente nesta jornada.

Vale lembrar que o lado profissional é apenas um aspecto da nossa vida. Temos muitos outros, todos importantes para a nossa felicidade. Nem todos nascem para largar a segurança e montar seu próprio negócio ou viajar pelo mundo. Nem todos encontram conforto em um trabalho seguro e bem remunerado. O que vai definir a felicidade, o encontro consigo mesmo no âmbito profissional é fazer aquilo que gostamos ou aprender a gostar daquilo que fazemos. 

No trabalho, no relacionamento familiar e amoroso, com os amigos, é sempre a capacidade de ouvir a própria voz interior o que determinará o melhor rumo a seguir na construção do nosso próprio caminho.

© 2016 | Mariuza Pregnolato - Todos os direitos reservados | Lei do Direito Autoral
A reprodução total ou parcial do conteúdo desta página é permitida sem autorização prévia por escrito da autora
(copyright) para fins educacionais ou informativos, desde que a fonte seja corretamente citada.