O transtorno do pânico

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O que é a Síndrome do Pânico?

É um transtorno mental que provoca episódios repentinos e recorrentes de forte ansiedade e medo, acompanhados de uma série de reações físicas (sudorese, aceleração dos batimentos cardíacos, vertigem, tremor, boca seca, dificuldade para respirar, formigamentos, náusea, dores, etc.) e emocionais (pavor, nítida sensação de que vai morrer ou enlouquecer, medo de perder o controle, etc.). São sensações intensas e tão perturbadoras que parecem durar muito tempo, mas de fato desaparecem espontaneamente após alguns minutos.

A quem acomete com mais freqüência e em qual faixa etária?

A diferença na prevalência entre homens e mulheres não é muito significativa, embora a maioria dos estudos tenham encontrado uma maior ocorrência entre as mulheres. Tende a ser predominante entre jovens e adultos, principalmente na faixa dos 20 aos 50 anos de idade.

Porque somente nos últimos tempos se fala tanto em síndrome do pânico?

Sempre que um quadro gerador de sofrimento ganha uma classificação das organizações de saúde – e quando é identificado a partir do diagnóstico de um profissional de saúde habilitado – ele tende a ser respeitado por seu status de doença. A partir daí, as pessoas começam a abandonar o preconceito em relação a ele. Esse é o caso do Transtorno do Pânico, que antigamente costumava ser atribuído a uma fraqueza do indivíduo que era por ele acometido. Hoje, como ocorre com a Depressão, a TPM, o TOC e tantas outras patologias, sabe-se que trata-se de um quadro que vem sendo objeto de estudos, que requer cuidados profissionais e para o qual existe procedimento terapêutico disponível.

Desde quando existe a síndrome do pânico? É esse o nome certo da doença?

O nome atualmente utilizado pelos profissionais de saúde para esse quadro é Transtorno do Pânico, embora ele seja mais popularmente conhecido como Síndrome do Pânico. Embora a classificação diagnóstica oficial tenha ocorrido recentemente, em torno dos anos 80, os sintomas são conhecidos há muito tempo, havendo relatos de sintomas que remontam à antiguidade.

Quais são as principais causas da doença?

Não há, ainda, um consenso a esse respeito. A maioria dos estudos realizados até agora apontam para uma origem de natureza multifatorial, envolvendo comportamentos aprendidos e, principalmente, questões de ordem emocional ou episódios traumáticos. Pesquisas vêm sendo realizadas para averiguar se alguma predisposição genética seja fator responsável pelo desenvolvimento do quadro, mas os resultados ainda são inconclusivos.

Como o terapeuta identifica um paciente portador de pânico?

O diagnóstico é fechado quando alguns dos sintomas clássicos da doença começam a ocorrer com alguma regularidade ou quando a pessoa, após um primeiro episódio de pânico, adquire excessivo medo de uma nova ocorrência, evitando situações que antes eram comuns, passando a ter prejuízos no seu dia-a-dia em função desse medo. Quando ocorre um ataque isolado, que não volta a se repetir ou retorna somente após um espaço muito longo de tempo (sem prejuízo na vida da pessoa) não é diagnosticado como transtorno do pânico. 

O que diferencia o transtorno do pânico de uma fobia?

Na fobia, o medo está associado a uma situação ou objeto específico, como medo de serpentes ou medo de altura, por exemplo, e o desconforto é disparado quando a pessoa sente que vai entrar em contato com esse objeto específico. O episódio de pânico ocorre repentinamente, sem nenhuma causa ou gatilho aparente, podendo ocorrer mesmo quando a pessoa está dormindo. É altamente provável que o transtorno do pânico, se não tratado adequadamente, acabe produzindo também fobias específicas, particularmente a agorafobia.

Como identificar se que o que uma pessoa sente é síndrome do pânico?

Ela deverá buscar ajuda profissional. Uma vez que os sintomas são terrivelmente angustiantes e desconhecidos, as pessoas tendem a procurar o cardiologista, pensando que estão sofrendo do coração. No entanto, o psicólogo e o psiquiatra são os profissionais mais habilitados a diagnosticarem esse quadro. Após ouvirem o relato do paciente e investigar sua queixa, irão valer-se dos critérios diagnósticos de manuais de saúde mental (atualmente, utilizam-se o DSM-V ou o CID-10) para fechar o diagnóstico.

Em que momento a pessoa deve buscar ajuda?

Quando sentir que está sofrendo e/ou perceber que sua vida está sendo afetada negativamente pelo transtorno do pânico: começa a esquivar-se de atividades que antes exercia, a isolar-se socialmente, a deprimir-se ou sentir-se fragilizado, muito inseguro, amedrontado, etc.

Como a terapia trabalha a Síndrome do Pânico?

No início, ajudando o paciente a atravessar os episódios presentes sem aterrorizar-se com eles e ensinando-lhe técnicas que lhe indiquem a iminência de um novo episódio para preveni-lo; finalmente, técnicas comportamentais para evitá-los assim que sua possível ocorrência seja detectada. Paralelamente, é desenvolvido um trabalho cujo objetivo é levar o paciente ao autoconhecimento, para que identifique sua dinâmica psíquica, isto é, aprenda como é seu modo de lidar com suas próprias questões emocionais, história de vida e seu padrão de comportamento que, se for disfuncional, poderá ser modificado.

São necessárias outras terapias complementares para a cura como, por exemplo, meditação, relaxamento, massagens, reiki, acupuntura etc., ou o trabalho em consultório pode sozinho levar à superação?

Na maioria dos casos, somente o trabalho psicoterapêutico é suficiente para livrar o paciente desse transtorno, mas tudo depende das características de cada caso e da qualidade da adesão do paciente ao tratamento. Há situações em que é necessário um trabalho conjunto com outros profissionais de saúde, especialmente quando há comorbidades (ocorrência simultânea de outras doenças). Algumas das técnicas citadas por você podem também ser utilizadas como importantes ferramentas coadjuvantes no tratamento, mas não é comum que sejam eficazes quando usadas isoladamente.

Como as pessoas que convivem com alguém que tem crises de pânico devem agir?

Devem tratar o paciente com respeito e levar a sério o relato ou a aparência de seus sintomas, sem cair no erro de excederem-se em cuidados e mimos e evitando alarde. Se um familiar estiver próximo da pessoa durante um ataque, deve falar com ela calmamente e pedir-lhe para que respire suavemente, sinta seu corpo em contato com o chão ou cadeira e permanecer a seu lado, amparando-a levemente, se for necessário, apenas acompanhando-a e cuidando para que não se machuque, caso venha a desmaiar. O mal-estar logo passará. Ela não se sentirá pressionada ou constrangida, se perceber que a outra pessoa esteve calma também, tendendo a refazer-se mais depressa. Passado o episódio, mostrar-se descontraído e disponível, sem impor nenhuma ajuda que não for solicitada.

A Síndrome do Pânico pode ser considerada um “mal” do nosso tempo devido a fatores como estresse, medo, violência, falta de segurança etc.?

Dada a alta incidência desses fatores, vários estudiosos tendem a afirmar que sim. No entanto, apenas o diagnóstico da doença é novo. Assim, é possível que o mesmo transtorno ocorresse desde há muito, sem que os vários critérios fossem considerados conjuntamente e, por essa razão, não caracterizando o transtorno do modo como é feito hoje.

Quais as principais limitações que podem acometer um paciente com Síndrome do Pânico?

O prejuízo pode ser enorme e muito sério porque afeta a autoconfiança do paciente. Sem autoconfiança, ele pode deixar de sentir-se capaz para qualquer tipo de atividade ou relacionamento, desde deixar de acreditar que é capaz de realizar um trabalho como deixar de acreditar que pode ser amado. Ele poderá isolar-se totalmente, entrar em grave depressão e alimentar idéias delirantes, suicidas, desenvolver outras doenças, além de outras possibilidades graves.

Recentemente a senhora tem aparecido bastante na mídia falando sobre o pânico. Qual a razão se de dar tanta atenção a esse tema?

Em primeiro lugar, porque essa patologia tem chamado muito a atenção da mídia, de modo que tem havido várias solicitações para discorrer sobre ela. Também porque trata-se de um tema com o qual eu gosto muito de trabalhar e que tem aparecido sistematicamente em minha prática clínica. Venho trabalhando esse transtorno através da ótica junguiana, com aplicação de algumas técnicas corporais e valendo-me também das valiosas estratégias terapêuticas da análise comportamental e cognitiva, com resultados excelentes.

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Mariuza Pregnolato em entrevista ao programa Hoje em Dia, da TV Record.

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