Medos na gestação

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Você poderia começar citando cinco medos mais comuns na gravidez?

Eles se dividem em dois grupos principais (e são relatados por cerca de 80% das grávidas, de acordo com estudos realizados): relacionados ao bebê e relacionados à própria gestante. Em muitos casos o medo é difuso, do tipo “alguma coisa pode dar errado”, mas os específicos mais comuns são:

Relacionados ao bebê: medo de ele apresentar defeito físico ou mental; de abortar; de possíveis doenças ou defeitos decorrentes de excessos cometidos pela gestante; de entrar em trabalho de parto em hora/lugar ruins e o bebê sofrer com isso.
Relacionados à mãe: medo da dor do trabalho de parto; da cirurgia; de morrer ao dar à luz; de não gostar do bebê; de perder seu corpo atraente; de enjoar demais; de não conseguir ser uma boa mãe.

Qual seria a melhor maneira de lidar com cada um deles?

Principalmente no caso de primíparas (primeira gestação) e multíparas com experiência prévia negativa, se forem medos persistentes e perturbadores, a terapia individual é a terapêutica mais indicada, pois focará o trabalho nos medos específicos da gestante, ajudando-a a expressá-los adequadamente e elaborá-los, para encontrar dentro de si a confiança e serenidade durante a gestação.

Se forem apenas medos ocasionais, sessões de relaxamento e trabalho corporal adequados às fases da gestação são muito bem-vindos, assim como participar de grupos de gestantes. Por exemplo, caminhada e ioga regularmente, adequando o condicionamento físico à cada etapa da gestação e intensificando o treino de respiração, meditação e relaxamento nos últimos quatro meses. Está demonstrado em pesquisas recentes, que o modo mais eficiente de preparar as futuras mamães para o parto é participar ativamente de grupos de treinamento para gestantes com foco na saúde, informação e bem-estar da gestante e seu bebê.

Por que estes medos são tão comuns?

A mulher sofre uma grande transformação sensorial e comportamental durante a gestação, fruto das alterações hormonais e da mudança de foco de seus instintos, antes direcionados à autopreservação e, na gestação, focados na proteção da prole. Além disso, particularmente nas primíparas, trata-se de uma experiência completamente nova, sobre a qual não se tem muito controle e ser, portanto, muito ansiógena. Essas são explicações que abrangem, em geral, as fêmeas das espécies de mamíferos, incluindo a humana. No caso das mulheres, em particular, as causas específicas mais comumente relatadas parecem ter origem em: informações assustadoras acerca do tema, relatos de doenças/sofrimento ou tragédia ocorrida com amigas e/ou parentes, gravidez indesejada, insegurança e/ou sentimento de culpa em relação ao próprio histórico (abortos, ingestão de drogas, álcool e cigarro, etc.).

Em que momento os medos podem se tornar um problema para a gestação?

Quando tornam-se patológicos. Os medos e ansiedades comuns são saudáveis, pois servem ao nobre propósito de alertar as gestantes para que cuidem bem de sua própria saúde e bem-estar para que o bebê, que ainda é parte do seu corpo, usufrua desse ambiente propício à sua formação. Mas tornam-se patológicos quando são muito intensos, frequentes, perturbadores, impedindo a gestante de alimentar-se, dormir e relaxar adequadamente, alterando seu estado emocional para um humor depressivo ou negativo. Nesses casos, a gestante passa a sofrer forte estresse, fica mais sujeita a adoecer e a ter acidentes, a desequilibrar-se emocionalmente, a necessitar de medicação, inevitavelmente afetando o ambiente do bebê, podendo provocar nele efeitos indesejáveis.

Como os companheiros das gestantes podem ajudar na eliminação destes medos?

Em primeiro lugar, informando-se sobre esse novo universo da parentalidade e mostrando-se confiantes, acolhedores, apaziguadores e oferecendo-se para apoiá-las na busca de ajuda, se necessária, visto que às vezes a gestante sente-se muito solitária, como se estivesse carregando sozinha o bebê e a responsabilidade sobre ele. Esse fardo é amenizado quando o parceiro também busca estar tranquilo ao lado dela. Ele também poderá colaborar participando de hábitos saudáveis junto com a gestante, mantendo boas horas de sono, cuidando bem da alimentação e fazendo atividades físicas.

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Mariuza Pregnolato em entrevista ao portal www.mdemulher.abril.com.br (site da revista Cláudia).

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