Ansiedade: ajuda ou atrapalha?

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Por: Mariuza Pregnolato

É bastante comum ouvirmos falar sobre a ansiedade. Ela é vista quase sempre como um inimigo a se combater e raramente como algo intrínseco ao funcionamento do organismo. O fato é que a ansiedade só é ruim quando ultrapassa um certo nível de normalidade e passa a atrapalhar nossas tarefas cotidianas. Adotando atitudes mais adequadas, porém, podemos revertê-la a nosso favor.

Esta reação instintiva do organismo nada mais é do que um alerta natural para que o nosso corpo reaja a algum sinal de perigo. Sem ela, estaríamos desprotegidos de ameaças rotineiras, como atravessar uma rua movimentada, quando um carro vem rapidamente em nossa direção, por exemplo. Se não sentíssemos o coração bater mais forte e as mãos geladas e trêmulas, continuaríamos caminhando calmamente e correríamos um sério risco de sermos atropelados.

A ansiedade natural foca nossa atenção para a situação que a causa, colocando o corpo em estado de alerta para que tome o devido cuidado e enfrente a situação. Não é à toa que quem sofre de ansiedade contínua tem mais dificuldade de se concentrar em atividades simples. É impossível focar a atenção em qualquer outra atividade quando seu corpo está tenso pela antecipação de um acontecimento.

Isso nos leva a um ponto importante: se a ansiedade, num primeiro momento, serve para proteger o nosso organismo, é preciso aceitá-la e aprender a controlar os seus sintomas. Quem sofre de ansiedade (isto é, quando a ansiedade atinge um nível patológico), antecipa acontecimentos que não estão ocorrendo no momento e que não é certo que venham a ocorrer no futuro. Uma boa dica, então, é concentrar-se no presente, respirar fundo e tomar consciência do próprio corpo. Procurar sentir os pés firmes no chão, observar a respiração, corrigir a postura e olhar na linha do horizonte posicionando-se mais firmemente, tudo isso pode ajudar no momento em que ela aparece.

Mais a longo prazo, praticar regularmente exercícios físicos, aprender práticas de relaxamento e/ou meditação e reservar um tempo para fazer o que gosta, além de procurar estar perto de pessoas queridas, o que também é importante. Quando praticamos exercícios físicos, nosso organismo produz substâncias que são responsáveis pela sensação de prazer. Já as práticas de meditação e reflexão são úteis para relaxar a mente e libertá-la de preocupações desnecessárias.

É claro que uma entrevista de emprego ou uma viagem esperada há muito tempo causarão ansiedade. Isso é normal e benéfico. Nestas horas, o melhor a fazer é preparar-se adequadamente para a situação, dando o melhor de si para enfrentar o acontecimento.

Há casos, porém, em que a causa da ansiedade não é visível, pois não se trata de um elemento externo que a motiva e, sim, de algo enraizado na psique da pessoa. Nestes casos, é importante buscar ajuda especializada a fim de resgatar, na história de vida, o elemento motivador desta ansiedade constante. O processo psicoterapêutico é o caminho mais eficaz para tratar desse problema. A doença, dessa forma, torna-se o ponto de partida para uma cura maior e mais profunda.

Ao aprender a lidar com a ansiedade, ao mesmo tempo em que utilizamos seu potencial positivo, neutralizamos seus efeitos negativos, que podem nos impedir de desenvolver e realizar nossas potencialidades físicas e psicológicas. Uma ansiedade descontrolada ou crônica sabota nossa capacidade intelectual, priva-nos de nossos melhores recursos emocionais e intuitivos, dificulta a articulação verbal, o senso de humor e a presença de espírito, reduz a capacidade de concentração e afeta a memória. Ou seja: pode transformar num desastre o desempenho de uma pessoa talentosa; e é capaz e produzir distúrbios mentais bastante graves, como fobias, ataques de pânico, dentre outros.

Não se pode esquecer que há vários tipos de ansiedade e que cada pessoa reage de uma forma diferente a ela. Assim, não existe uma fórmula única e generalizada que resolva o problema. Cada indivíduo é distinto e, por isso, é sempre importante buscar o autoconhecimento, aprendendo, descobrindo ou elaborando técnicas próprias de combate a este sintoma às vezes inconveniente, mas natural e sempre presente em nossas vidas.

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